Entrevistas

Eneida Marta: “Achei que poderia usar a minha voz e fazer chegar aos ouvidos de todos estes poemas fabulosos”

A cantora guineense regressa com “Nha Sunhu”, um álbum, como o título sugere, que a artista já sonhava produzir.

Eneida Marta é uma artista guineense, que já fez chegar a sua música – e voz inconfundível – a todos os cantos do mundo. Em 2001, estreou-se com “Nô Storia”, disco que apresentou nos palcos de Cabo Verde, França, Holanda, Alemanha e, claro, Portugal e Guiné Bissau. Este ano, lança “Nha Sunhu” – um álbum, como o título sugere, que a artista já sonhava produzir. À conversa com a cantora, descobrimos qual o papel que a música tem na sua vida, sendo Eneida embaixadora da música da Guiné Bissau, e a que influências recorreu para criar um disco num registo tão próprio. 

Palco Principal – O seu novo álbum tem um título bastante especial – “Nha Sunhu” (Meu sonho). Era um disco que queria gravar há já muito tempo?

Eneida Marta – Sim, queria produzir o “Nha Sunhu” há muito tempo, mas foi gravado no momento que devia ser gravado: agora!

PP – “Nha Sunhu” foi gravado entre Bissau, Lisboa e Paris. Reflete, de certa forma, as diferentes vivências em cada uma destas cidades?

EM – Não. Gravei na Guiné-Bissau porque, além de ser o meu país, precisava de trazer a sua sonoridade e energia da forma mais genuína possível. Portugal e França, por sua vez, falaram mais alto na parte técnica, porque em ambos os países trabalho com músicos que me iriam responder da maneira que o “Nha Sunhu” merecia, e assim foi, graças a Deus.

PP – À exceção de “Nha Sunhu”, as letras do seu novo álbum resultam de uma seleção de trabalhos de alguns dos mais famosos poetas guineenses. O que a levou a criar um disco com esta forte ligação à literatura?

EM – Em primeiro lugar, sou fã de todos eles (e de muitos outros), mas o mais importante foi o facto de achar que poderia usar a minha voz e fazer chegar aos ouvidos de todos estes poemas fabulosos.

PP – Os seus temas são completados com o som de diversos instrumentos musicais, como piano, flauta, kora … No concerto em Portugal, também se vai fazer acompanhar dos músicos que participaram na gravação deste seu novo disco?

EM – Infelizmente, nem todos os músicos que gavaram no meu álbum vão poder estar presentes em todos os concertos. Ainda assim, a grande maioria irá apresentar-se em concerto comigo.

PP – Já afirmou que as suas inspirações não passam por artistas femininas. Existe alguma razão em particular para que isto aconteça?

EM – Não existe nenhuma razão em particular, é algo inexplicável, de certa forma! Eu mesma já me questionei sobre este ponto. (risos)

PP – O facto de ser, também, embaixadora da música da Guiné-Bissau modificou a sua perspetiva da música?

EM – Não mudou em nada minha perspectiva perante a música, porque acredito que, quando se sabe o que se está a fazer e se acredita no mesmo, não será certamente um título que nos fará mudar a nossa perspectiva.

Catarina Soares

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IOL Música

May 26th, 2015

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